A falta de satisfação é um fato: todos nós sempre queremos mais do que temos. Quase nunca estamos satisfeitos: queremos mais dinheiro, mais tempo, mais espaço, mais liberdade, mais coisas, mais livros, mais conhecimentos, mais “likes”, em suma, mais tudo.

Isso se aplica a todas as pessoas e em todas as áreas. Muitos de nós que somos pais vemos isso claramente em nossos filhos, isto é, que eles nunca estão satisfeitos com o que têm: mais brinquedos, um celular ou tablet melhor, mais liberdade… O mesmo acontece com os que trabalham para uma empresa como empregados: melhor salário, mais reconhecimento, melhores condições… E nos empresários a falta de satisfação sempre está presente:  querem mais vendas, mais lucros e mais tempo livre.

A falta de Satisfação demonstra que estamos errados?

Na verdade, tudo isso tem uma justificativa biológica: o homem, desde a pré-história, para poder sobreviver em um ambiente de escassez de recursos, teve que evoluir e buscar constantemente algo a mais para seguir progredindo. Nosso cérebro está programado para isso, e mesmo que neste mundo desenvolvido não tenhamos escassez de recursos, ainda sim ele nos pede um permanente esforço adicional e é este “a mais” que gera segurança, e também é o que nos fez chegar no momento evolutivo em que estamos.

A publicidade e o marketing se aproveitam dele e ajudam a gerar essa “necessidade”, às vezes real, às vezes fictícia, para se obter o mais recente avanço tecnológico, o melhor software, o objeto de marca, o carro mais rápido ou as férias mais luxuosas. Antes nos vendiam objetos, agora eles nos vendem “experiências”, mas sempre com a ideia de ter “mais”.

Onde está o problema?

Quando a abundância atinge tal magnitude resultando em algo que fica fora de controle: obesidade, vícios, depressão, etc.

Nosso cérebro não sabe colocar um limite, mas não somos animais irracionais e sim seres humanos; somos “homo sapiens” e dentro de nós há também a capacidade de pensar, de refletir, de conscientizar-nos, de exercermos a moderação, o caminho que nos leva à busca da felicidade, nossa paz interior, o senso de realização, ou como queiramos chamar. Porém, muitas vezes, chegar a este ponto nos custa muitos anos, e alguns nunca alcançam isso.

Na vida você precisa ter sonhos e objetivos? Claro que sim! E, além disso, deveríamos escrevê-los, compartilhá-los e planejá-los.

É ruim querer coisas novas e excitantes? Absolutamente, está dentro da nossa natureza.

Como indivíduos e como espécie, precisamos estabelecer metas e desejos, mas, como pessoas, devemos alcançar um equilíbrio, uma moderação consciente, o que nos ajudará a aproveitar e a valorizar tudo aquilo que conseguimos.

Por ActionCOACH Jessica Arroyo / Espanha

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