De acordo com um artigo recente na Harvard Business Review, o pensamento crítico está entre as principais competências de trabalho que os empregadores estão procurando no mercado de trabalho de hoje. Sabendo disso você poderia pensar que as universidades e as faculdades estariam bombando com aulas para ensinar técnicas de pensamento crítico aos estudantes e os empregadores estariam criando ambientes de trabalho que façam com que seus empregados estejam imersos na disciplina do pensamento crítico todos os dias.

Infelizmente, ambas as suposições estão erradas. Não só aos candidatos estão faltando habilidades de pensamento crítico quando eles entram na força de trabalho, mas, os empregadores muitas vezes não sabem como acessar ou aprimorar seu próprio ambiente de pensamento crítico para seus funcionários. Muitas vezes, é porque definir o pensamento crítico pode ser difícil e os próprios gerentes têm diferentes níveis de conforto para permitir que suas equipes exerçam o verdadeiro pensamento crítico para resolver problemas.

Simplificando, o pensamento crítico é “a análise objetiva e avaliação de uma questão, a fim de formar um julgamento” (Dictionary.com, 2019). Ou, mais claramente, chegar à melhor solução depois de rever todos os fatos pertinentes. Seja na recepção ou nos níveis mais altos de qualquer organização problemas surgem diariamente. Alguns são avaliados e corrigidos rapidamente, mas outros exigem um pouco mais de escrutínio e lá reside a raiz de todo o mal. O pensamento crítico exige que os funcionários pensem e analisem a situação, criem um plano de ação e, em seguida, executem o plano para resolver o problema. As mãos de muitos gerentes começam a suar quando pensam em deixar os membros da equipe criarem soluções ,e eles acabam sufocando o pensamento crítico por simplesmente dar ordens.

É verdade que os gerentes muitas vezes não têm tempo para permitir que todos na equipe passem pelo processo de avaliação crítica de todas as variáveis, reunir informações de todas as partes interessadas e elaborar um plano mensurável para resolver o problema. Há momentos em que um gerente tem que atribuir tarefas para resolver uma situação que é sensível ao tempo. Mas considere que o crescimento da organização realmente acontece quando o gerente e a equipe podem abordar criticamente problemas e desenvolver soluções que não são apenas bem pensadas e são o mais inclusivas possível. Para desenvolver um ambiente rico em pensamento crítico comece do início.

Para avaliar o pensamento crítico entre sua equipe primeiro verifique o seu nível de execução. Quão bem eles completam suas tarefas? Eles estão em dia com as tarefas e suas tarefas são concluídas na íntegra? Se os membros da sua equipe estão tendo problemas para cumprir prazos ou têm suas tarefas parcialmente incompletas, então você tem que considerar fornecer a eles projetos mais finitos. Seja mais específico em suas solicitações, crie listas de verificação e/ou processos que eles tenham que seguir para garantir que todas as etapas sejam abordadas e que o resultado seja o que você espera. Sempre inspecione o que você espera para garantir que sua equipe esteja progredindo.

Uma vez que você esteja confortável com o nível de execução, você pode passar para a fase de processo. Agora você começa a atribuir projetos com menos direção e mais ambiguidade. Nessas tarefas, você está procurando ver se sua equipe pode identificar o que é realmente importante. Eles são capazes de identificar os fatores ou variáveis mais importantes? Eles estão buscando uma visão importante das partes interessadas? Eles são capazes de articular esses insights para você de uma forma que ilustra que compreendem plenamente “o que deve ser feito” versus “o que é legal fazer”? Isso não vai acontecer rapidamente para alguns membros de sua equipe e você pode ter que usar o sistema de sombra (buddy system) para garantir que os elementos críticos do projeto ou tarefa não sejam perdidos. Permitir que sua equipe descubra opções, alternativas e que considerem resultados potenciais pode fazer milagres em desenvolver suas habilidades de pensamento crítico.

À medida que sua equipe avança, você pode começar a se arriscar mais e realmente permitir que sua equipe formule e forneça recomendações para resolver os problemas que sua organização está enfrentando. Pode parecer loucura, mas é verdade: você não tem que aparecer com todas as respostas e planos. Se você conseguir treinar sua equipe de forma eficaz ao longo do tempo para fazer as perguntas certas, identificar os elementos ou variáveis importantes e obter feedback ou contribuição de partes interessadas relevantes eles poderão e muitas vezes irão fornecer-lhe recomendações para a melhoria do processo ou soluções para o problema que o surpreenderão.

Capacitar uma equipe ou membro específico da equipe para abordar criticamente seu trabalho diário também acrescenta enriquecimento e satisfação ao seu trabalho. Permita que sua equipe gerencie a área pela quais eles são responsáveis e eles naturalmente começarão a avaliar os desafios com um olhar mais crítico. Faça-lhes mais perguntas abertas e não seja rápido no gatilho para dar respostas a suas perguntas. Treine-os para sondar mais, considerar resultados alternativos e desafiar a sua aceitação de normas para começar a introduzir elementos de pensamento crítico que você quer promover.

Em última análise, você tem que demonstrar e modelar o comportamento que você quer ver em sua equipe. Se você está fazendo perguntas suficientes e está preso em um modo de tarefas durante todo o dia, então você não está realmente pensando em soluções ou maneiras de melhorar a situação atual das organizações.  Se você só pensa em riscar tarefas da sua lista, então tampouco você está exercitando seus músculos de pensamento crítico. Desafie-se a desenvolver uma abordagem de pensamento mais crítico.

Há um debate entre alguns que o pensamento crítico é um traço que você nasce com ou sem. Acredito que uma pessoa deve ser engajada independente de ter nascido ou não com esse traço. Você pode ter um funcionário muito capaz que tem as habilidades naturais e que mostra pouca ou nenhuma iniciativa para aplicá-las. Ou você pode ter alguém que você tem que treinar e treinar e que está ansioso para aprender e aplica ativamente o que você ensina. Para a minha empresa, o segundo empregado é mais valioso. A vontade de aprender com os erros, estar aberto ao coaching e aplicar novas habilidades vai ser mais valioso a longo prazo.

Se você acredita que pode treinar seus funcionários para tomar decisões e fazer escolhas certas 70% do tempo, então você deve arriscar. É provável que alcance ou exceda sua própria média de acertos comparado a quando você tenta fazer tudo por conta própria. Pense nisso criticamente antes de dizer não.

Confira este artigo da Harvard Business Review para saber mais sobre a avaliação das habilidades de pensamento crítico da sua equipe.

https://hbr.org/2019/10/a-short-guide-to-building-your-teams-critical-thinking-skills?