Por ActionCOACH Jairo Lizarazo/México

Todos nós em alguma ocasião já lemos, aprendemos ou talvez experimentamos as diferentes habilidades e características que devemos ter para ser considerados líderes de sucesso. Essas informações estão por todos os lados. E se você tenta definir e selecionar entre tantas fontes e opiniões quais são as habilidades e características comuns, na verdade torna-se um trabalho imenso, talvez sem sentido porque são inumeráveis: começamos com o fato de que devemos ter desenvolvido a curiosidade, paixão, ter uma visão global, confiança, transparência, adaptar-se às mudanças, aprender com os erros, estar sempre em busca de resultados, compartilhar o sucesso, ser empático, saber tomar decisões, saber priorizar, gerenciar, comunicar, ter compromisso, responsabilidade, desenvolver colaboradores, ser um exemplo, ter inteligência emocional, respeito, execução, intuição, sacrifício, foco no outro, para que possamos seguir em frente. A lista é interminável dependendo de como a festa foi.

Tudo isso está bem, de acordo com a teoria, mas a realidade tem nos impactado de forma contundente que não era vista há mais de 70 anos, globalmente falando. E sim, estou falando da COVID-19 e é aqui que nos perguntamos se a lista interminável de habilidades e características que se atribuem a um bom líder é válida. Sendo assim, por que não nos ajudou a antecipar, ou melhor, a administrar melhor a crise gerada pela pandemia? Acho que a resposta é simples, e dado o que vimos em alguns países, causado pelos próprios líderes: ninguém se salva e a verdade é que temos que reformular essa lista. Sim, reformula, mesmo sem querer. Começando por adicionar mais uma habilidade: aprender sobre o futuro!!!

Por que, como donos de empresas, devemos ter essa capacidade? Explico com um exemplo simples: desde o último trimestre de 2019 todos nós vimos ou ouvimos o que estava acontecendo na China. Embora eu não queira mencionar aquelas “habilidades” que não deveríamos mais ter, nem por que elas limitam o aprendizado do que vemos, também seria ainda mais longa do que a lista de habilidades e características que deveríamos ter. A verdade é que por um ou mais motivos não entendemos ou não compreendemos o que vimos com 6 meses de antecedência. Ou não vimos ou não entendemos porque estamos muito envolvidos em nosso dia a dia, ocupados com nossas próprias lutas ou egos e entretidos com tantas outras “boas habilidades” que supostamente nos ajudarão a ser bons líderes (?). Essa realidade nos mostrou na cara que de líderes, temos pouco. E a razão é que nos falta ” capacidade estratégica de explorar o futuro e observar tendências latentes na sociedade”, como bem expressou o filósofo Daniel Innerarity.

Além disso, as habilidades que concordamos que devemos ter, como saber executar e priorizar, não utilizamos, mas como se explica que não temos os recursos médicos mais simples para mitigar essa crise e não temos liquidez suficiente para evitar a falência. São muitos os exemplos de líderes de países muito mais desenvolvidos do que os nossos países da América Latina e que não vale a pena aprofundar hoje.

O que podemos aprender como empresários com o que nos aconteceu em relação a essa nova capacidade estratégica de explorar o futuro, ou seja, aprender com o que está por vir em nossos negócios:

  1. O valor de ter cenários: A realidade não é e nem será produto do plano que temos, tem variantes e nuances e devemos estar preparados financeiramente (liquidez, despesas fixas), no comportamento do cliente (mudança de hábitos e prioridades) , na gestão da equipe (remota, virtual) e na utilização dos recursos (escritórios) entre outros.
  2. A importância de reagir a tempo: Não podemos ficar sempre a ponto de que vamos tomar decisões, uma decisão válida é aquela que é tomada agora porque se não for feita custa caro. Sempre tome decisões com base em fatos e dados.
  3. Gerenciamento de riscos: devemos avaliar com mais frequência, não menos.
  4. Medições diárias: Qual é a minha lucratividade e qual é o meu ponto de equilíbrio para agir em conformidade.
  5. Dinheiro é rei: Não vale a pena vender por vender se for a crédito, embora a estratégia de dar crédito seja válida, nem sempre podemos ficar com todo o risco. Já aprendemos que na crise “as vendas são vaidade, os lucros são sanidade e o dinheiro é realidade”.
  6. Comemore as pequenas vitórias: Estamos sempre esperando a grande festa, mas merecemos ver nas pequenas coisas que estamos caminhando na direção certa.
  7. Busque fontes confiáveis: Hoje mais do que nunca aprendemos que muitos falam sem dados ou fatos (inclusive governos), porém, nossas empresas são construídas com dados e fatos que compõem nossa realidade.

 

Senhor empresário, você já tem sua lista de aprendizagem?

 

Lembre-se de que você não pode alterar eventos externos, mas pode alterar a maneira como reage a eles. Por isso, te convido a não desistir e a continuar a preparar-se para seguir evoluindo no seu papel de empresário.