Por ActionCOACH Sizenando Carvalho / Brasil

Em fevereiro de 2010, iniciei um programa de coaching empresarial individual, um pouco fora da curva. Os clientes vieram de um programa de coaching em grupo, que participaram em 2009. A empresa vendia R$ 17 mil, por mês, e queria contratar meus serviços cujo investimento mensal seria em torno de R$ 2.000,00.

Tratava-se de uma pequena empresa, com dois sócios, localizada no sul do estado, que se dedicava ao conserto de aparelhos eletrônicos, principalmente televisores e instalação de acessórios e sons automotivos. Os aparelhos de TV eram captados durante o dia e consertados pelos proprietários à noite.

Os principais desafios foram: Como fazer a empresa crescer de forma sustentável; Desejo de crescimento pessoal dos donos do negócio; Aumentar o volume das vendas; Sistematização para crescimento; Formação de equipe; Como usar recursos de terceiros para alavancar os resultados operacionais e financeiros da empresa.

Tinham 127 aparelhos de TV para consertar e entregar aos clientes. Se deslocavam 135 km para terem as suas sessões de coaching, numa época que a rodovia, BR 101, estava em obras. Numa das sessões eles levaram mais de 6 horas para chegar no escritório. A sessão foi iniciada às 22h 30min.

O processo se iniciou em março de 2010 e o desafio era, além de melhorar os resultados da empresa, mudar o mindset dos donos.

 

Aprendizado: “Não diga a ninguém: isso não é para você. Não mate o sonho das pessoas.”

 

Para funcionamento da empresa, ocupavam uma residência, de propriedade de um deles, sem pagar aluguel. Achavam isso uma vantagem. Retiravam seu pró-labore, quando sobrava. Com baixas perspectivas, pois conserto de aparelho de TV, com o advento de equipamentos eletrônicos, estava em queda.

Uma das primeiras mudanças era pagar aluguel para os donos. Como? Se o imóvel fosse de terceiros, pagariam? Então vamos vender mais para pagar o aluguel.

Segunda mudança: verificar quais aparelhos estavam no estoque há mais de 3 meses. Contatar com os proprietários dos aparelhos e avisá-los para retirar num prazo de 30 dias, caso contrário seriam destinados à doação ou ao descarte.

Terceira, contratação de um técnico para consertar os aparelhos e aquisição de ferramentas mais adequadas. O técnico poderia trabalhar somente duas vezes por semana. Resultado: eram consertados 11 aparelhos por dia e o valor dos consertos giravam em torno de R$ 140,00 a unidade. Em 60 dias não tinham mais aparelhos para consertar e o ingresso de novos aparelhos não mais justificava a atividade.

Concomitantemente escolhemos a aplicação de películas automotivas que oferecia melhor margem e incremento do mix de acessórios automotivos.

Em setembro faturaram R$ 34 mil, com uma margem de lucro de 22%. O próximo desafio era continuar crescendo e se estabeleceu uma meta, que atingida ficariam livres do Coach.

A cidade era pequena e não justificava crescer verticalmente. Decidiu-se por replicar a operação em uma cidade maior, que distava 20 km. Pretendiam se utilizar dos R$ 80 mil para implantar a nova unidade. Sugerimos que aprendessem trabalhar com recursos de terceiros. Procuraram um banco “oficial” que operasse com linhas de créditos de investimentos para pequenas empresas.

A burocracia atrapalhou um pouco, mas valeu a pena ter feito um plano de negócios para um financiador e os recursos foram liberados.

 

Aprendizado: “Um bom teste para a viabilidade dos seus sonhos é achar alguém que os financie”.

 

No dia 25 de março de 2009, inauguraram a segunda unidade e em 25 de abril no fechamento de 31 dias, venderam mais que a matriz e também um lucro maior, visto que os custos fixos diminuíram proporcionalmente em função do rateio entre duas unidades e melhora no processo de compras.

No final de 2010 faturavam mais de R$ 80 mil por mês.

 

Aprendizado: “A inocência nos permite enxergar sem as lentes das crenças que podem limitar o nosso crescimento”.